O Arauto

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Saudades de um amigo que espero eterno

Horas, dias, semanas, meses, anos passaram-se meu caro amigo e companheiro (será que ainda assim me consideras?) Sebastião Lino. Transcorridos estes anos, sinto e constato com uma saudade infinita, que crescemos e que hoje somos homens com os quais a mãe Angola pode contar incondicionalmente se os que se dizem nossos governantes privilegiaram o primado da subserviência em detrimento do da competência.

Confesso que, com uma lágrima no canto do olho, sinto saudades das conversas que naquele tempo, no tempo dos nossos tempos, falávamos da Realização, no hall ou nos corredores da Rádio Nacional de Angola (RNA), do teu sonho, o de ser locutor, comunicador.

Lembraste? Claro que Te lembras. Não te lembrares disso seria o mesmo que dizeres que não conheces o Gilberto Júnior, o Avelino Henriques o Drumond Jaime, o Fernando Nogueira, o Nicolau da Silva, o Arlindo Macedo, o malogrado Alexandre Gourgel ou ainda negar que o Eduardo Magalhães era o “ai Jesus!” do auditório feminino do programa “Sintonia Nova”, realizado pelo Péricles Neto.

Lembras-Te que quase dormíamos na rádio porque queríamos aprender como se pronunciavam correctamente as palavras, como se redigia uma notícia para a rádio ou um guião para um programa de fait-divers na rádio?

Se Tu não te lembras, lembro-me eu da preocupação que Tinhas de aprender as técnicas de respiração quando numa cabina de locução e em directo, quando, como abrir e fechar as vogais.

Os nossos caminhos separaram-se, salvo o erro, no início de 1994 quando optei por ir para o "Jornal de Angola" e Tu - sempre com a ambição saudável de ser locutor, comunicador, apresentador - decidiste ficar na RNA.

Lembras-Te das intrigas contra nós? Claro que Te lembras. Não te lembrares disso seria o mesmo que dizeres que (já) não sabes usar uma "Nagra" ou uma "Uher", nem sabes o que é um microfone multi ou unidireccional.

Lembras-Te quando íamos almoçar (ainda provoca-me água na boca a gostosa comida) em casa da Tua mãe?

Tem cuidado com as intrigas que Te poderão ser feitas. Serão feitas por aqueles que não sabem que, com inúmeras dificuldades, Te licenciaste em História pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED). Afasta-te das armadilhas daqueles que não sabem das dificuldades por que passámos para que fosses o que és hoje.

Terei sido dos Teus amigos o primeiro a saber da morte da Tua mãe e a dar-te a notícia no aeroporto de Joanesburgo (África do Sul). Vinhas Tu do Brasil para onde havias ido de férias e eu tinha um outro destino.

Tu não sabias de nada. Choraste compulsivamente.

Mas hoje temos, digo eu, motivos de sobra para estarmos felizes, abrir uma garrafa de champanhe e bebemorar. Estou orgulhoso pela Tua recente nomeação como director do “Canal A” da Rádio Nacional de Angola (RNA). Sabes porquê que me sinto orgulhoso? Por seres meu amigo e seres da minha geração, a geração "Morango com Açucar".

Sucessos e felicidades, meu irmão, são os meus humildes e sinceros votos!

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